Quando a anorexia e a obesidade são flagelos de impacto dramaticamente visível, percebemos que os gritos de ajuda dados nos extremos são próprios da cegueira social, e dos danos muitas vezes irreparáveis que a parcialidade de cada estado provoca.
Remediar as coisas quando a merda já está inexoravelmente feita parece-me ter sempre o mesmo efeito.
A beleza magoa-me. Aquela que importa, que rebenta com as desculpas idiotas que tenho por portas, aquela que humilha, aquela que gera pedidos quando a contenção elegante já não permite coisas como a deferência ou a classe. A dita classe que finje ignorar os dentes afiados do expoente do desejo, que parece adivinhar a auto-suficiência inexistente, que não se atreve a pedir quando é só isso que quer, mesmo que pareça parvo ou fraco ou incongruente ou cúpido.
A beleza magoa-me porque traduz a sua poliformia no controlo das funções básicas do pensar, porque me leva pela mão para o desejo de universalizar, porque parece minha quando não é ou nunca o será.
A beleza magoa-me porque na ameaça de perfeição, esconde o que não pode ser porque nada o é. E ao sabê-la incompleta, descanso-me, e ao mesmo tempo, redescubro-a nos mais pequenos detalhes que parecem retirar-me daqui, colocar-me num local onde só ela existe, numa sala onde ela tudo inunda e passo a voar.
Este maravilhoso poema musica e filmado magoa-me.
Vejo-o uma e outra, e outra vez.
E tudo o que disse repete-se.
A beleza magoa-me...

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